A IA precisa de nós, e não o contrário
Na pressa de entregar, é fácil pular arquitetura, engenharia e segurança. Uma reflexão sobre usar a IA sem deixar que ela pense por nós.
Com a inteligência artificial, tivemos de nos adaptar: ser mais rápidos, mais produtivos e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade de absorver todas as tecnologias que surgem, principalmente em cargos de liderança.
A pressa e as etapas que pulamos
Nessa corrida por conhecimento e velocidade, muitas vezes pulamos etapas de arquitetura, engenharia e segurança. Estamos tão preocupados em entregar que deixamos de perguntar se aquilo realmente escala, se aguentaria milhares de requisições, se é viável colocar em servidores para suprir essa demanda.
Nem todo caminho chega à produção
Trabalho no setor financeiro e preciso criar diversas automações e APIs que consomem recursos federais. Muitas vezes me peguei estudando um caminho que simplesmente não teria como chegar a um ambiente de produção, ou que seria inviável sustentar com servidores dedicados.
Cabe a nós reconhecer isso e, de forma consciente, interromper o desenvolvimento, buscar alternativas viáveis ou aceitar que, naquele cenário, realmente não é possível.
O que a IA não sabe
A IA cria, por natureza, uma ilusão de poder: a de que consegue encontrar solução para tudo. Mas ela se alimenta apenas de bases de conhecimento públicas. Tudo o que ainda não foi desenvolvido por nós, ela simplesmente não encontra.
Cabe ao engenheiro entender esse limite e usá-la para extrair o máximo dentro dele.
O teste da arquitetura
Há alguns dias, eu estava desenvolvendo uma grande camada de um projeto: arquitetando a estrutura, a comunicação, o dimensionamento dos servidores e os recursos que usaria na AWS. Quis fazer um teste e deixar a IA (um agente especializado, com vários padrões) pensar por mim e desenhar essa arquitetura.
O resultado foi horrível. Funcionaria, é verdade, mas estava superdimensionado e cheio de recursos desnecessários, que elevariam o custo de forma absurda. Isso acontece porque a IA está acostumada a ler grandes documentações técnicas e grandes arquiteturas, mas nem todo projeto será uma Netflix.
Redesenhei toda a arquitetura, e ela consome dez vezes menos do que custaria se eu tivesse deixado a IA pensar por mim, continua funcionando e é robusta o bastante para aguentar diversas requisições simultâneas.
Cabe a nós entender isso, não dar poder total à IA e nunca deixar que ela tire o nosso poder de pensar e refletir.
Quem precisa de quem
Precisamos nos posicionar de modo que a inteligência artificial precise de nós, e não o contrário.
Somos nós que temos o conhecimento técnico, o escopo e o contexto de todo o projeto.